Para quem não sabe, sou professor do Método DeRose e começarei a escrever alguns textos relacionados à prática deste método. Hoje falaremos dos ritmos respiratórios e suas funções.
A nossa respiração sofre grande interferência dos estados emocionais. A ansiedade por exemplo, produz uma respiração mais curta e acelerada, já um estado de serenidade produz uma respiração mais profunda e lenta. É inegável a relação entre padrões respiratórios e estados emocionais ou de consciência. O antigo povo drávida, que criou as técnicas usadas no Método, perceberam que se dominassem a respiração conseguiriam interferir nos estados de consciência e controlar melhor suas emoções.
Deixando as coisas mais práticas, quando por exemplo você exala o ar mais devagar você se recupera mais rápido, seja de um cansaço físico ou um stress emocional. Não é que você vai deixar de sentir cansaço ou mesmo de ter essa sensação emocional, mas o fato é que existe um desgaste tanto para o cansaço físico quanto emocional. Quando sentimos emoções pesadas, como ódio, medo, stress etc internamente liberamos uma grande quantidade de toxinas, que se liberadas em excesso se tornam prejudiciais à nossa saúde. Além disso, fisicamente, quanto mais rápido nos recuperamos de um cansaço, melhor.
Então o simples fato de conseguirmos controlar melhor a saída do ar, tomando consciência do movimento muscular envolvido na respiração e fazendo com que o ar saia mais devagar, podemos reduzir esse desgaste tanto no âmbito físico como emocional.
Os drávidas catalogaram diferentes proporções de ritmos respiratórios para gerar diferentes estados de consciência.
O ritmo é sempre descrito como uma proporção e sempre com a ordem Inspiração – Retenção com Ar – Expiração – Retenção sem ar. Quando escreve-se o número pode-se colocar qualquer valor desde que a proporção seja respeitada. Exemplo, ritmo 1-1-1-0. Você deve inspirar, reter o ar e expirar no mesmo tempo e não fará retenção sem ar. Portanto, se inspirar em 4 segundos vai manter a mesma proporção também nas demais fases que tem o número 1.
Os principais ritmos são:
1-1-1-1 – Nossa respiração é arrítmica por natureza e isso interfere também no fluxo inconstante dos nossos pensamentos. Disciplinar a respiração a manter uma cadência é disciplinar a mente a manter foco. O ritmo é algo que nossa mente não gosta. Ela prefere a distração. Veja por exemplo, quando você começa a batucar uma música. Em sua introdução é mais fácil manter o ritmo. Quando a voz entra entonando a melodia, se você não estiver muito concentrado naquilo irá se atrapalhar e perder a cadência. Concluindo, manter o mesmo tempo para todas as fases contribui para o foco mental e um estado de estabilidade.
1-2-1-2 – Esse ritmo é importante para dar ao corpo mais tempo de assimilação do oxigênio e energia que estão sendo captados na respiração. Dobrar o tempo das retenções produz, na retenção com ar essa assimilação e na retenção sem ar, um tempo para uma maior introspecção, pois é isso que a parada sem ar nos pulmões produz.
1-2-3-0 – Essa proporção amplia a saída do ar dos pulmões e isto como já foi explicado ajuda na recuperação do desgaste. Seja ele físico ou emocional.
1-4-2-0 – Esse é o ritmo mais avançado que existe daqueles que foram catalogados e testados por milhares de anos. Segundo as escrituras que descrevem tais técnicas, esta proporção é associada a estados meditativos e à expansão da consciência.
Respirar é viver, quem respira melhor vive melhor. Respirando com mais consciência você não estará apenas ampliando sua consciência corporal, mas também emocional e do fluxo dos seus pensamentos. Dominar ritmos respiratórios vai totalmente ao encontro desse propósito, pois a mente gosta de diversificação e manter uma cadência respiratória é disciplina-la para mais foco e produtividade.

Texto Daniel DeNardi